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Eros e Psique II

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Eros era usado pela propria mae, Afrodite, como instrumento de vinganca contra aqueles que lhe desagradassem por algum motivo. Nesse sentido, o deus alado engendrava paixoes impossiveis de ser consumadas, propositalmente calculadas para levar o desafortunado a angustia, ao sofrimento e ate mesmo a morte.

Certa vez, Eros foi destinado a punir uma mortal de rara formosura chamada Psique (Alma), cujos encantos desviavam as atencoes da humanidade do culto a beleza da propria Afrodite. Ao avistar a vitima, perturbou-se de tal forma diante de sua radiante beleza, que, inconscientemente, feriu a si mesmo com uma de suas flechas. De imediato, enamorou-se perdidamente por ela, recusando-se a efetivar o castigo delegado pela mae de faze-la apaixonar-se pelo pior homem da face da Terra.

Sendo assim, Eros tratou de colocar a jovem Psique sob sua protecao, levando-a, sem se revelar, para morar em seu palacio encantado. La chegando, impos a amada a condicao de seu anonimato e, valendo-se da escuridao da noite para permanecer sempre oculto, cobria-a de carinhos amorosos e deixava a disposicao dela tudo o que pudesse desejar. Dessa forma, pretendia conquista-la pelo amor que dedicava e nao pelo que era: um deus belo e de atributos cobicados por todos.

Psique, no entanto, corroida pela curiosidade e pelas suspeitas infundadas sobre a verdadeira identidade do amante, decidiu vislumbrar sua face proibida aproximando-se sorrateiramente enquanto ele dormia. Valeu-se de uma lamparina para enxergar no escuro e de uma faca para se defender, caso desaprovasse o que visse. Nesse mesmo instante, acordado pelo espanto da companheira ao descobrir sua identidade divina, Eros, desapontado pela desobediencia e principalmente pela desconfianca, desapareceu na noite, abandonando Psique para sempre.

Fazendo isso, deixava clara a sua mensagem de que o amor nao vive sem confianca.

Arrependida e inconformada pela consequencia do ato que a fizera perder o maior amor que poderia desejar em seus sonhos, Psique correu o mundo se submetendo as mais dificeis e penosas provacoes, sempre na esperanca de se redimir perante o amor perdido.

Compadecendo-se finalmente da jovem amada, Eros voltou para desposa-la e, tornando-a tambem imortal, os dois puderam viver eternamente como divindades. Da uniao deles nasceu Volpia, a deusa do prazer intenso.

A humanidade tiraria dessa historia a licao de que so o amor (Eros) consegue tornar a alma (Psique) feliz, e que ela e capaz de enfrentar todos os obstaculos para reencontra-lo se ele for perdido.



Hoje em dia esses mitos simbolizam:
Eros/Cupido: o amor, a paixao, os amantes, a busca pelo amor.
Psique e Cupido: a busca da alma pelo amor, a satisfacao da alma pelo amor, a satisfacao plena.